segunda-feira, 28 de setembro de 2009
"Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é."
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
sábado, 25 de julho de 2009
"Pedi que ficasse, como não ficou o outro. Mas não o suportaria, acrescentei a seguir. Sorriu. Como se nada do que eu pudesse dizer fosse capaz de modificar sua partida. Ainda chove, tentei dizer. Não importa, será melhor assim, repetia sua mão estendida. Passou-a devagar na minha face. Eu era uma coisa pequena, rastejante e sem Deus, caminhando no escuro lamacento à procura apenas de qualquer gesto como o toque de uma mão humana, devagar na minha face. Ele tocou. Calçou os sapatos, apanhou o chapéu. Eu quis dizer que poderia ocupar o segundo quarto — a segunda cama, a segunda vida — talvez para sempre. Eu estava tão vivo que qualquer outra coisa também viva e próxima merecia minha mão estendida, oferecendo. Estendi a mão. Ele não podia acei tá-la. Eu não devia estendê-la.
— O navio demora pouco no porto — disse antes de partir. — Um marinheiro desce, olha a terra, às vezes deposita algo, e logo torna a partir."
Penso - agora que já não dói mais como uma vez doeu e que consigo ver as coisas nitidamente (sem remorso, choro nem vela) - que talvez ele sempre soube que não poderia ficar, até mesmo quando se enganava do contrário. Percebo, aos poucos, como se estivesse montando um quebra-cabeça que, juntando as peças, vai tomando forma, que todos os dizeres mais doces envolvendo um futuro conjunto eram apenas brincadeira ou talvez qualquer coisa dessas que nos traz alguma segurança para os momentos em que a ferida arde demais e, feito crianças, precisamos de alguém para segurar a nossa mão e dizer que tudo vai ficar bem. Porque tudo sempre fica bem no final. Pelo menos é o que dizem, é o que nos fazem acreditar. E a gente, sempre segurando a mão de alguém, acredita, já que não nos é permitido ficar por muito tempo no fundo do poço. Por um momento, ele viu em mim um porto-seguro quando voltava pra casa e tinha que se deitar só na cama, como há anos não fazia. Sozinho no seu próprio quarto, perdido na vida que ele mesmo escolheu. Via em mim alguém para ligar e dar boa noite quando chegasse em casa, que estivesse lá para o confortar, mas que não fosse tão próximo para que pudesse apontar o dedo, cravar as unhas e os dentes, arrancar pedaços, não só do corpo, mas do coração e até da alma. Exato véu de maya(h). Talvez eu não tenha sido cor nenhuma, talvez eu tenha sido só uma ilusão do que sabia que nunca iria ter, porque não se permitiria entrar de novo nessa roda maluca que chamam de amor. Mas aprendeu, aos poucos, que ainda era possível amar, não tão intensamente como (ainda?) faço e como ele um dia fez, também, mas de alguma maneira que não exigisse tanto, talvez mais madura para ele, mas sem fazer sentido para mim. E agora, analisando e montando esse quebra-cabeça que acaba por formar uma figura abstrata, com muitas pontas, luzes e sombras, como se fosse um dia cheio de cores, mas agora opaco, envelhecido com o tempo, as (des)ilusões e as marcas, percebo que enfim, houve amor - e muito. E eu - sem me gabar, muito menos me achar melhor que ninguém, mas talvez por ser mais sensível - considero linda, profunda, mágica qualquer forma de amor. Hoje, sinto a cosquinha que ele disse que um dia eu viria a sentir. E mais do que isso: entendo porque não podia ficar.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
* Lembro de ter dito numa dessas conversas comigo mesma que estar naquela inércia sentimental - onde não se sofria parecendo que nunca ia passar, nem se amava com todo o fogo queimando dentro de si - era tão vazio e muito pior do que a imensa dor que se sente (aquela mesmo que se a voz tivesse força igual, acordaria a vizinhança inteira, essa mesmo) quando os teus sonhos e planos não vão na direção que tu imaginava. Querendo ou não, há algo doce nessa tristeza causada sempre por sentimentos uma vez bonitos e fortes. Tem sempre algo de bom na tristeza, mesmo que não se note. Logo depois vem a força e a superação. E tem que saber lidar sem se tornar amargo, se tem. É o mais difícil. Não se retrair. Tou tentando me manter aqui intera, firme e forte, pra logo estar disposta a dar a cara pra bater de novo de novo e de novo, mas por enquanto, vou continuar aqui no meu esconderijo mesmo - aqui fora mesmo, onde todos podem ver.
* E nem posso dizer que estou triste porque, na realidade, não tenho tido tempo pra ficar triste. É correria, minha gente, é vida. É aquela coisa de não parar para não pensar. Isso que nem muita gente faz e eu por tanto tempo me recusei a fazer. Mas, às vezes, é só o que cura. E, embora algumas vezes bela, a tristeza precisa ser curada. A tristeza, a saudade, a vontade. Eu nunca estive melhor, você sabe bem, mas tem coisas que a gente disfarça quando precisa de um pouco de atenção.
* "Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso…”
Lembrei dessa. E essa do Renato Russo me lembra aquela do Caio F. "Pensei que talvez o sol, o calor e Deus pudessem voltar de repente, no momento exato em que a última chama se desfizer e alguém esboçar o primeiro gesto. Mas eles não voltarão. [I]Seria bonito, e as coisas bonitas já não acontecem mais[/i]".
* "porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência."
* Mas no fundo, pessoal, no fundo tudo isso é amor. Amor de menos, amor demais, amor faltando, mas, de qualquer forma, amor. [i]E por que não falar de amor, repetir as palavras se no fundo é só isso que vale a pena?[/i]
* E nem posso dizer que estou triste porque, na realidade, não tenho tido tempo pra ficar triste. É correria, minha gente, é vida. É aquela coisa de não parar para não pensar. Isso que nem muita gente faz e eu por tanto tempo me recusei a fazer. Mas, às vezes, é só o que cura. E, embora algumas vezes bela, a tristeza precisa ser curada. A tristeza, a saudade, a vontade. Eu nunca estive melhor, você sabe bem, mas tem coisas que a gente disfarça quando precisa de um pouco de atenção.
* "Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso…”
Lembrei dessa. E essa do Renato Russo me lembra aquela do Caio F. "Pensei que talvez o sol, o calor e Deus pudessem voltar de repente, no momento exato em que a última chama se desfizer e alguém esboçar o primeiro gesto. Mas eles não voltarão. [I]Seria bonito, e as coisas bonitas já não acontecem mais[/i]".
* "porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência."
* Mas no fundo, pessoal, no fundo tudo isso é amor. Amor de menos, amor demais, amor faltando, mas, de qualquer forma, amor. [i]E por que não falar de amor, repetir as palavras se no fundo é só isso que vale a pena?[/i]
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Ainda bem
Hoje faz um ano dessa reviravolta toda. Que eu me encontrei, me perdi, que cresci e algumas horas fui muito mais, outras muito menos do que eu sou. Não sei se é bom ou ruim, se tou comemorando ou só constatando. A verdade é que não conseguiria – nem poderia - deixar passar essa data em branco.
Ontem eu tava conversando com a Tex sobre como as coisas ficam mais leves quando as esperanças e as expectativas se acabam. É aquela coisa do “tudo perde seu valor quando se espera algo em troca”. Apesar de ser um pouco triste não esperar mais, de desistir – não bem essa palavra, mas uso essa por falta de outra melhor – tem-se uma sensação de liberdade, de que, enfim, se superou. Não que tenha passado ou sido esquecido, mas foi superado. Percebe-se que se tornou algo que é possível olhar para trás sem dores nem mágoas, com carinho e um pouco de nostalgia, mas nada que te arranque o coração fora, que dê aquele aperto no peito, como antes. E embora sempre haja recaídas e se saiba que o coração vai bater mais forte quando ele te ligar ou se encontrarem num desses dias, esquinas, vidas, embora saiba-se que algumas coisas não vão mudar, que ele ainda vive dentro de si própria e que pense nele todos os dias - mesmo que negue - embora todas essas situações e outras mais que não convém citar, consegue-se seguir em frente para, quem sabe, um novo amor. E de algum forma, de algum jeito torto, esse mesmo, que eu sei e gosto muito de fazer, levanta-se a cabeça e caminha-se pra frente, no começo meio bamba, com medo de tropeçar, mas logo com passos firmes e fortes, te levando pra um novo lugar. E, apesar das partidas doerem, das respostas nunca chegarem, dos dias de angústias, tristezas e saudades, apesar apesar apesar, sabemos que valeu a pena, que não seria a mesma se não fosse ele, que se tornou uma pessoa melhor, mais completa e verdadeira. Valeu a pena e ainda vai valer, sabemos no fundo. Porque não morreu, porque é o tipo de coisa eterna que vai nos alegrar por muitos anos, porque amor como esse não some, nem desaparece. Porque é real e bonito.
E no fundo, só o que espera é que daqui a um ano possam se encontrar e dizer “hoje faz dois anos” e sorrir e ver que não sumiu, que ainda guardam o mesmo carinho, amizade, cumplicidade. E que, quem sabe, exista ainda um pouco de paixão, vontade, tesão. Que possam viver aqueles momentos intensamente como sempre souberam fazer e que consigam dizer adeus sem que doa. E que ainda, daqui a muitos anos, se encontrem só para dizer “ainda bem que no meio de tanta gente eu encontrei você”. Ainda bem.
Hoje faz um ano dessa reviravolta toda. Que eu me encontrei, me perdi, que cresci e algumas horas fui muito mais, outras muito menos do que eu sou. Não sei se é bom ou ruim, se tou comemorando ou só constatando. A verdade é que não conseguiria – nem poderia - deixar passar essa data em branco.
Ontem eu tava conversando com a Tex sobre como as coisas ficam mais leves quando as esperanças e as expectativas se acabam. É aquela coisa do “tudo perde seu valor quando se espera algo em troca”. Apesar de ser um pouco triste não esperar mais, de desistir – não bem essa palavra, mas uso essa por falta de outra melhor – tem-se uma sensação de liberdade, de que, enfim, se superou. Não que tenha passado ou sido esquecido, mas foi superado. Percebe-se que se tornou algo que é possível olhar para trás sem dores nem mágoas, com carinho e um pouco de nostalgia, mas nada que te arranque o coração fora, que dê aquele aperto no peito, como antes. E embora sempre haja recaídas e se saiba que o coração vai bater mais forte quando ele te ligar ou se encontrarem num desses dias, esquinas, vidas, embora saiba-se que algumas coisas não vão mudar, que ele ainda vive dentro de si própria e que pense nele todos os dias - mesmo que negue - embora todas essas situações e outras mais que não convém citar, consegue-se seguir em frente para, quem sabe, um novo amor. E de algum forma, de algum jeito torto, esse mesmo, que eu sei e gosto muito de fazer, levanta-se a cabeça e caminha-se pra frente, no começo meio bamba, com medo de tropeçar, mas logo com passos firmes e fortes, te levando pra um novo lugar. E, apesar das partidas doerem, das respostas nunca chegarem, dos dias de angústias, tristezas e saudades, apesar apesar apesar, sabemos que valeu a pena, que não seria a mesma se não fosse ele, que se tornou uma pessoa melhor, mais completa e verdadeira. Valeu a pena e ainda vai valer, sabemos no fundo. Porque não morreu, porque é o tipo de coisa eterna que vai nos alegrar por muitos anos, porque amor como esse não some, nem desaparece. Porque é real e bonito.
E no fundo, só o que espera é que daqui a um ano possam se encontrar e dizer “hoje faz dois anos” e sorrir e ver que não sumiu, que ainda guardam o mesmo carinho, amizade, cumplicidade. E que, quem sabe, exista ainda um pouco de paixão, vontade, tesão. Que possam viver aqueles momentos intensamente como sempre souberam fazer e que consigam dizer adeus sem que doa. E que ainda, daqui a muitos anos, se encontrem só para dizer “ainda bem que no meio de tanta gente eu encontrei você”. Ainda bem.
domingo, 24 de maio de 2009
Quarto 667
Venha cá, me conte como estáDiga tudo, eu paro o tempo se precisar
Me segur aqui, não ri de mim assim
Eu encaro todas as horas vazias se no final eu for te ver sorrir
Dois meses longe, tanto se passou
Será que ainda algo de nós restou?
Olha pra mim, me dá só mais um beijo
Prometo que já te deixo...dormir
Mas deixa eu contar tudo que fiz e li
E tudo mais que me fez pensar em ti
Me pega pela mão, sem hesitar
Vamos sair e dançar até cansar
Esquecer que amanhã temos que voltar
Foge comigo pr'aquele nosso lugar
Onde só existe eu e você
E nada mais pra nos fazer sofrer
Nem duvidar do que um dia poderemos ser
Fecha porta, só há nos dois
Me abraça forte e me faz crer
No que sabemos ser
Impossível
Sorri pra mim, me traz um pouco de sorte
Enche meu coração sem entender por que
Desse jeito torto que tiver que ser.
(E eu sei que não quer saber, mas tudo fica tão frio, tão cinza e vazio sem você).
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