domingo, 7 de setembro de 2008
Não me ouça, então. Não quero sua piedade, desculpa, aprovação. Poupe-me de seu perdão. Guardo em mim segredos muito mais obscuros, profundos e sujos do que este. Tenho demônios se debatendo, implorando para que sejam ouvidos. E, às vezes, os ouço. Solto um sorriso de canto de boca, surpreendida - a até orgulhosa - com os planos e idéias que estes conseguem arquitetar. Me provocam. Sou fraca por não resistir e são eles que me fazem forte por tentar. Arrisco - e não temo. Me consomem. Eu permito, sem hesitar.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
"Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém."
Caio Fernando Abreu
Mas não consigo. E quando em encanto, sou consumida, por mais que não queira. Ou finjo que não quero, tento fugir. Às vezes penso que me engano, embora no fundo saiba que tudo aquilo é mentira, que eu sei exatamente o que quero, só não tenho coragem suficiente pra admitir. Estou tão frágil e tão forte ao mesmo tempo. Qual é o meu estado de verdade?
Caio Fernando Abreu
Mas não consigo. E quando em encanto, sou consumida, por mais que não queira. Ou finjo que não quero, tento fugir. Às vezes penso que me engano, embora no fundo saiba que tudo aquilo é mentira, que eu sei exatamente o que quero, só não tenho coragem suficiente pra admitir. Estou tão frágil e tão forte ao mesmo tempo. Qual é o meu estado de verdade?
Explico-me através das palavras dos outros, pois as minhas ficam trancadas na garganta, enroscadas nos pensamentos, aprisionadas pelos sentimentos. Sinto que retiraram uma parte de mim, arrancada com toda força, sem autorização ou, menos ainda, anestesia. Sofro - e odeio admitir. Admitir é mostrar-se patética, frágil, inconformada. Eu não: faço-me forte. Enquanto todas estas sensações berram, sacondem-se, clamam por atenção, eu as ignoro, finjo não as ouvir - ou tento. Pois, afinal, qual é a diferença entre ser forte e fazer-se forte?
"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe (...). A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão".
Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu
sábado, 14 de junho de 2008
Eu podia escrever com mais freqüência, verdade. Até porque, eu escrevo tanto nos meus fotologs. Porém, lá eu escrevo coisas banais, do dia-a-dia. Aqui sou mais introspectiva. Meio que já convencionei isso. O que é ruim, né. Convencionar o que se escreve. Acabo não ficando livre pra digitar qualquer coisa que vier na minha cabeça, expressando do melhor jeito possível. Viu. É inconsciente. To parada aqui olhando pra tela, pensando no que escrever. No fotolog, não. Vou escrevendo qualquer coisa mesmo. E AH, tem outra coisa: não é madrugada. Meus textos surgem na madrugada. No silêncio. Na solidão. Solidão é uma palavra forte. Pensa-se que é algo ruim, ficar sozinho. Mas, às vezes, é a melhor coisa que pode-se fazer. E no mundo de hoje, com tanta interatividade por todos os meios possíveis (telefone, celular, internet, msn, orkut, e-mail e o diabo a quatro), fica difícil ficar sozinho. Eu já me desacostumei a estar sozinha. Tou sempre procurando me comunicar. Mas vou aprender a controlar. Aliás, tenho reparado que se pode aprender muito mais estando consigo mesmo e conversando com si próprio do que passar horas se comunicando sobre qualquer coisa com qualquer outra pessoa. Só porque precisa dizer algo pra alguém. Acabamos inventando esse "algo" pra falar. Porque sim, muitas vezes não tem o que se dizer, mas a gente busca, lá no fundo, qualquer coisa, comentário, observação pra se dizer pro outro, só pra iniciar uma conversa. Acho que é medo. Medo de ficar sozinho. Porque, querendo ou não, quando se fica só, se pensa. Se pensa. E se pensa. E, quando mais se pensa, mais perguntas surgem e menos respostas aparecem. A as respostas que se encontram trazem mais perguntas, dessa vez insolucionáveis. "As conseqüências podem ser problemas com soluções impossíveis". Não bem isso, mas quase. Ou algo do tipo. Gosto dessa frase. Bastante. Grande Sugar Kane. Enfim, ninguém gosta de não compreender. Mas Clarice diz que quando menos se compreende, mais se compreende. E eu acredito.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Me senti viva como há tempos não sentia. De bem comigo mesma. Por fugir da rotina. Por ter algo que eu sonhei e esperei por muito tempo. Por sentir ter toda liberdade do mundo na minha mão, só esperando a minha decisão. Senti meu corpo formigar de felicidade - e não por ninguém, mas por mim mesma. Pela minha realização. Por poder cantar olhando pra uma amiga e sentir que a gente estava no mesmo nível. De se sentir feliz, se sentir real. E saber que aquilo ali é verdadeiro. Embora breve, é real. E cada um faz com a sua vida o que quiser e deve explicações só pra si mesmo. Não senti ódio, nem repulsa em nenhum momento. Até compreendi.
Agora, tou numa melancolia por aqueles momentos terem passado, ido embora, fugido das minhas mãos, do meu controle. Sei que tenho voltar pra minha rotina, pra minha vida, pra mesma mesmice. Voltar a lidar com os mesmos problemas, as mesmas inseguranças e dúvidas. Me entristece saber que vou ter que esperar - ansiosamente - pra ter essa sensação de novo. E sei que não vai ser tão intenso, nem tão surpreendente. Mas vai passar. Não vai voltar, não vou mudar, mas vai passar.
Agora, tou numa melancolia por aqueles momentos terem passado, ido embora, fugido das minhas mãos, do meu controle. Sei que tenho voltar pra minha rotina, pra minha vida, pra mesma mesmice. Voltar a lidar com os mesmos problemas, as mesmas inseguranças e dúvidas. Me entristece saber que vou ter que esperar - ansiosamente - pra ter essa sensação de novo. E sei que não vai ser tão intenso, nem tão surpreendente. Mas vai passar. Não vai voltar, não vou mudar, mas vai passar.
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